Entre palcos e leis: a profissionalização do teatro brasileiro e a invenção do artista como trabalhador (1890-1930)
DOI :
https://doi.org/10.18817/ot.v23i41.1344Mots-clés :
teatro brasileiro, Lei Getúlio Vargas, políticas culturaisRésumé
Este artigo analisa o protagonismo de artistas e dramaturgos brasileiros no processo de profissionalização do teatro entre o final do século XIX e o início do XX. A partir do conceito de “intelectual orgânico”, de Antonio Gramsci, compreendem-se esses sujeitos como agentes atuantes na construção de um projeto cultural nacional e na institucionalização do campo artístico. Destaca-se a criação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) e a promulgação da chamada “Lei Getúlio Vargas” (Brasil, 1928) como marcos dessa mobilização coletiva. Ao reivindicar direitos autorais, reconhecimento profissional e políticas públicas para o setor, esses trabalhadores das artes cênicas também disputavam o lugar da cultura na vida social e no Estado.
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