“O velho está morrendo e o novo não pode nascer”: reflexões sobre a intelectualidade de esquerda na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.18817/ot.v23i41.1342Palavras-chave:
Julio Cortázar, história intelectual, América LatinaResumo
O presente artigo investiga os impasses enfrentados pela esquerda contemporânea à luz das reflexões de Vladimir Safatle e Antonio Gramsci, articulando essas contribuições com a trajetória intelectual de Julio Cortázar. Parte-se da compreensão de que a crise atual é de natureza simbólica e epistemológica, caracterizada pelo esgotamento das categorias tradicionais de interpretação da realidade e pela estagnação da imaginação política. Nesse cenário de interregno, descrito por Gramsci, o papel do intelectual ganha centralidade como agente na disputa por uma nova hegemonia cultural. Julio Cortázar é analisado como figura exemplar desse engajamento, ao conciliar liberdade estética com compromisso político, recusando tanto a neutralidade elitista quanto os imperativos dogmáticos. A sua obra aponta para a possibilidade de uma arte crítica e transformadora, que resiste à instrumentalização e reativa o potencial simbólico da literatura como instrumento de reinvenção do presente.
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