O SUJEITO ESCRAVIZADO E O ENSINO DE HISTÓRIA: o infanticá­dio cometido por Maria Rita

Autores

  • ROBERTO RADáœNZ Universidade de Caxias do Sul - UCS/RS Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC/RS
  • BRUNA LETáCIA DE OLIVEIRA SANTOS

DOI:

https://doi.org/10.18817/ot.v14i23.546

Palavras-chave:

Ensino de história. Infanticá­dio. Escravidão. Cotidiano

Resumo

 

A pesquisa em torno do tema escravidão tem avançado consideravelmente. As abordagens mais recentes buscam apresentar o escravo como sujeito de seus atos. Essa mudança de abordagem tem sido possá­vel principalmente por causa da utilização de fontes ligadas aos processos judiciais. O presente texto tem como base empá­rica um processo crime em que é julgado uma mãe escrava que comete infanticá­dio e tenta suicá­dio no distrito de Capivari, em Rio Pardo, em 1850. Maria Rita, depois de vestir com as melhores roupas suas filhas, degolou Manuelina de cinco anos e Vitoriana de três, sendo impedida de cometer suicá­dio depois dos gritos de desespero das meninas. O processo apresenta muitos elementos do cotidiano escravista que podem ser problematizados em sala de aula. Dentre eles as diferenças de gênero que se traduzem nas próprias razões alegadas pela escrava para o crime: ”porque ele é homem e não haverá de passar pelos trabalhos das fêmeas”. Por mais genérico que possa parecer o termo trabalho nessa manifestação, ele encobre abuso sexual, violência, castigos, trabalhos forçados, entre outros. Narrativas desse gênero não aparecem nos livros didáticos e são bem mais recorrentes do que se possa imaginar. Nesse sentido, processos crimes podem ser trabalhados em sala de aula, como fontes para o ensino de história, desvelando um cotidiano complexo que marcou o passado escravista.

Palavras-chave: Ensino de história. Infanticá­dio. Escravidão. Cotidiano.


THE ENSLAVED SUBJECT AND HISTORY TEACHING: infanticide committed by Maria Rita

Abstract: Research on slavery has considerably moved forward. This academic knowledge capital starts to reflect on didactic books in a more significant form. The most recent approaches try to present slaves as subjects of their own acts. This change of approach has been possible mainly because of the use of sources linked to legal processes. This text has as empirical base a crime process in which a slave mother is judged because she committed infanticide and tried suicide in the district of Capivari, in Rio Pardo in 1850. Maria Rita, after dressing her daughters in their best clothes, beheaded Manuelina and Vitoriana, of five and three years old respectively. She was prevented from committing suicide, due to the desperate cries of the girls. This process presents many elements of slaves' everyday life that can be discussed in class. Among them, gender differences, which translate in the reasons alleged by the slave mother for committing the crime: ”because he is a man and he will not have to do the jobs of a female”. Even if it may sound generic, the term job in this assessment includes sexual abuse, violence, punishments, forced labor, among others. Narratives of this type do not appear in didactic books even if they are more common than we can imagine. In this sense, crime processes can be discussed in class as sources for history teaching, revealing a complex routine which marked the slavish past.

 

Keywords: History teaching. Infanticide. Slavery. Everyday life.


EL SUJETO ESCLAVIZADO Y LA ENSENá‚NZA DE HISTORIA: el infanticidio cometido por Mará­a Rita

Resumen: La investigaciónen torno al tema esclavitud ha avanzado considerablemente. Este capital de conocimiento académico comienza a reflejarse de forma más significativa em los libros didácticos. Los abordajes más recientes buscan presentar al esclavo como sujeto de sus actos. Este cambio de abordaje ha sido posible principalmente a causa de la utilización de fuentes relacionadas conprocesos judiciales. Este texto tiene como base empá­rica um proceso de crimenen el que es juzgada una madre esclava que comete infanticidio e intenta suicidio, em el Distrito de Capivari, en Rio Pardo en 1850. Mará­a Rita, después de vestir con sus mejores ropas a sus hijas, degolló a Manuelina de cinco años y a Vitoriana de tres, siendo impedida de cometer suicá­dio después de los gritos desesperados de las niñas. El proceso presenta muchos elementos del cotidiano esclavista que pueden ser cuestionados em clase. Entre ellos, las diferencias de género que se traducen em las propias razones alegadas por la esclava para cometer el crimen: ”porque él es hombre y no tendrá que pasar por los trabajos de las hembras”. Por más genérico que pueda parecer el término trabajo em esta manifestación, encubre abuso sexual, violencia, castigos, trabajos forzados, entre otros. Narrativas de este tipo no aparecenen los libros didácticos y son mucho más comunes de lo que se pueda imaginar. En este sentido, los procesos por crimen pueden ser trabajados em clase como fuentes para la enseñanza de historia, desvelando un cotidiano complejo que marcó el passado esclavista.  

Palabras clave: Enseñanza de historia. Infanticidio. Esclavitud. Cotidiano.

Biografia do Autor

ROBERTO RADáœNZ, Universidade de Caxias do Sul - UCS/RS Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC/RS

Coordenador do Programa de Pós-Graduação da Universidade de Caxias do Sul - UCS. Professore e pesquisador da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

BRUNA LETáCIA DE OLIVEIRA SANTOS

Graduada em História pela Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, RS

Educadora Social do Colégio Murialdo — Caxias do Sul, RS

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Publicado

2017-06-26